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“Tudo posso naquele que me fortalece.”


Esse é o Deus a quem servimos.


Salmo 100 : 4 (Para os que não crêem, é uma excelente história)‏

Na quinta feira, dia nove, entre uma reunião e outra, o empresário aproveitou para ir fazer um lanche rápido em uma pizzaria na esquina das ruas Yafo e Mêlech George no centro de Jerusalém.

O estabelecimento estava superlotado. Logo ao entrar na pizzaria, Moshê percebeu que teria que esperar muito tempo numa enorme fila, se realmente desejasse comer alguma coisa – mas ele não dispunha de tanto tempo.

Indeciso e impaciente, pôs-se a ziguezaguear por perto do balcão de pedidos, esperando que alguma solução caísse do céu.

Percebendo a angústia do estrangeiro, um israelense perguntou-lhe se ele aceitaria entrar na fila na sua frente. Mais do que agradecido, Moshê aceitou. Fez seu pedido, comeu rapidamente e saiu em direção à sua próxima reunião.

Menos de dois minutos após ter saído, ele ouviu um estrondo aterrorizador. Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele acabara de percorrer o que acontecera. O jovem disse que um homem-bomba acabara de detonar uma bomba na pizzaria Sbarro`s… Moshê ficou branco. Por apenas dois minutos ele escapara do atentado. Imediatamente lembrou do homem israelense que lhe oferecera o lugar na fila.

Certamente ele ainda estava na pizzaria.

Aquele sujeito salvara a sua vida e agora poderia estar morto.

Atemorizado, correu para o local do atentado para verificar se aquele homem necessitava de ajuda. Mas encontrou uma situação caótica no local.

A Jihad Islâmica enchera a bomba do suicida com milhares de pregos para aumentar seu poder destrutivo. Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito pessoas morreram, sendo seis crianças. Cerca de outras noventa pessoas ficaram feridas, algumas em condições críticas.

As cadeiras do restaurante estavam espalhadas pela calçada.

Pessoas gritavam e acotovelavam-se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar de alguma forma.

Entre feridos e mortos estendidos pelo chão, vítimas ensangüentadas eram socorridas por policiais e voluntários.

Uma mulher com um bebê coberto de sangue implorava por ajuda.

Um dispositivo adicional já estava sendo desmontado pelo exército. Moshê procurou seu ’salvador’ entre as sirenes sem fim, mas não conseguiu encontrá-lo.

Ele decidiu que tentaria de todas as formas saber o que acontecera com o israelense que lhe salvara a vida. Moshê estava vivo por causa dele.

Precisava saber o que acontecera, se ele precisava de alguma ajuda e, acima de tudo, agradecer-lhe por sua vida.

O senso de gratidão fez com que esquecesse da importante reunião que o aguardava.

Ele começou a percorrer os hospitais da região, para onde tinham sido levados os feridos no atentado.

Finalmente encontrou o israelense num leito de um dos hospitais. Ele estava ferido, mas não corria risco de vida.

Moshê conversou com o filho daquele homem, que já estava acompanhando seu pai, e contou tudo o que acontecera. Disse que faria tudo que fosse preciso por ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe devia sua vida. Depois de alguns momentos, Moshê se despediu do rapaz e deixou seu cartão com ele. Caso seu pai necessitasse de qualquer tipo de ajuda, o jovem não deveria hesitar em comunicá-lo.

Quase um mês depois, Moshê recebeu um telefonema em seu escritório em Nova Iorque daquele rapaz, contando que seu pai precisava de uma operação de emergência.

Segundo especialistas, o melhor hospital para fazer aquela delicada cirurgia fica em Boston, Massachussets.

Moshê não hesitou. Arrumou tudo para que a cirurgia fosse realizada dentro de poucos dias. Além disso, fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar seu amigo em Boston, que fica a uma hora de avião de Nova Iorque.

Talvez outra pessoa não tivesse feito tantos esforços apenas pelo senso de gratidão. Outra pessoa poderia ter dito ‘Afinal, ele não teve intenção de salvar a minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila ‘

Mas não Moshê. Ele se sentia profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E ele sabia como retribuir um favor.

Naquela manhã de terça-feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar seu amigo – e deixou de ir trabalhar. Sendo assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele dia onze de setembro de 2001. Moshê não estava no seu escritório no 101.º andar do World Trade Center Twin Towers.

(Relatado em palestra do Rabino Issocher Frand)

“Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome”

Salmos 100:4


Aborto – Crime e Conseqüências

FERNANDO A. MOREIRA
“O maior destruidor da paz no Mundo hoje, é o aborto.  Ninguém tem o direito de tirar a vida; nem a mãe, nem o pai, nem a conferência, ou o Governo.” Madre Tereza de Calcutá (Mensagem à Conferência na ONU).
O termo aborto que, cientificamente, indica o produto do abortamento, foi popularmente usado como sinônimo deste, confundindo-se, assim, a ação com o resultado dela, o ato de abortar com seu cadáver, o aborto. Apesar da ressalva, usa-remos indistintamente neste trabalho, dado a consagração do termo, uma ou outra denominação com a mesma finalidade.
Assim, aborto ou abortamento seria a expulsão do concepto, antes da sua viabilidade, esteja ele representado pelo ovo, pelo embrião ou pelo feto; a expulsão do feto viável, antes de alcançado o termo, denomina-se parto prematuro. É, pois, a interrupção da gravidez antes da prematuriedade – abortamento; durante – parto prematuro; completada – parto a termo; ultrapassada – parto serotino.
Pode ser o aborto, sob o ponto de vista médico, espontâneo ou provocado, e a diferença está na intenção, pois que este último é devido à interferência intencional da gestante, do médico ou de qualquer outra pessoa, visando ao extermínio do concepto. Neste trabalho, por motivos óbvios, só nos referiremos ao aborto provocado.
Incidência
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), feitos por estimativa e, antes de serem publicados, já foram divulgados pela Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos (“Dossiê Aborto Inseguro”) através do jornal O Globo, é na América do Sul onde ocorre o maior número de abortos clandestinos no mundo, vindo em segundo a América Central e, em terceiro, a África. O Brasil é o campeão mundial, pois aqui são consumados 1,4 milhão de abortos clandestinos por ano, mais do que todos os outros países da América do Sul reunidos. Meninas e jovens de até 19 anos fazem 48% das interrupções legais da gravidez, segundo a nossa rede pública. Dados do Fundo das Nações Unidas para a População (FUNUAP) mostram que em conseqüência de complicações deles, morrem por ano nos países da América Latina (inclusive no Brasil) seis mil mulheres, consistindo na terceira causa de morte materna, depois das hemorragias e da hipertensão. Relatório do Instituto Allan Gutmacher (Folha de S. Paulo: 14-3-99) mostra que a maior incidência por percentagem de abortos (36%) acontece nos países desenvolvidos, graças à permissão da lei, sendo deles também a maior taxa de gravidez não planejada (49%), mas englobam apenas 28 milhões de mulheres grávidas por ano. Os países subdesenvolvidos apresentam planejamento melhor (36% dos nascimentos não são previstos) e menos abortos (20%), entretanto representam 182 milhões de grávidas. No Brasil, segundo o mesmo Instituto, a cada 1.000 adolescentes grávidas, 32 recorrem ao aborto. Somente a República Dominicana (onde também é proibido)
e EUA (onde é legalizado), têm taxas maiores: 36.
Conclui ainda o relatório que nos EUA, como é crescente o número de mulheres que praticam o aborto, existe uma preocupação do Congresso, que prevê crescimento populacional negativo na próxima década, falta de mão-de-obra e colapso de sistema previdenciário em vinte anos. Outro dado importante é que 63% das mulheres norte-americanas chegam aos 18 anos já tendo praticado sexo. Só na Dinamarca (72%) e na Islândia (71%) o percentual é maior. O próprio Instituto reconhece que parte das mulheres só fazem sexo por saberem que não terão filhos (seja porque usam métodos contraceptivos, seja pela prática do aborto). Equivale dizer que, naqueles países onde o aborto foi legalizado, ganhando o nome, dado por eles, de “aborto seguro”, o número de abortamentos vem aumentando assustadoramente e não menos assustadora foi a diminuição do número de gravidezes programadas, denotando ambos, o aumento da “irresponsabilidade segura”.
AS CONSEQÜÊNCIAS
O aborto é um crime hediondo que produz uma série de conseqüências espirituais, perispirituais, físicas, psicológicas e legais.[3]

  • Conseqüências espirituais e perispirituais: estão relacionadas ao crime, com repercussões para o criminoso e a vítima.   PARA O CRIMINOSO: Em trabalho publicado na Revista Internacional de Espiritismo [x], referimo-nos à programação genética reencarnatória [4], já que “não existindo o acaso, tudo na reencarnação acontece sob a égide de Deus, o Senhor da Vida. Sendo esta programada, os Espíritos Superiores atuariam como construtores ou geneticistas, no fluxo da vida, selecionando o óvulo e o espermatozóide que originarão o ovo; sempre que possível participa nesta seleção genética o Espírito reencarnante, sendo o grau de comando dos Espíritos Superiores inversamente proporcional ao estágio evolutivo do Espírito. Estabelecem-se, outrossim, fortíssimos compromissos entre os pais e o Espírito reencarnante e vice-versa. Colaboram os Espíritos simpáticos e tentam interferir negativamente os Espíritos inimigos, de acordo com as possibilidades das sintonias”. O produto deste magnífico trabalho de coorporificação da espiritualidade é o ovo, que originará os 75 trilhões de células do corpo físico[3], indo servir de roupagem ao Espírito reencarnante, como veículo possuidor de todas as dimensões necessárias e suficientes, colocadas a seu serviço para executar sua proposta reencarnatória e conduzi-lo à evolução espiritual. O aborto não é uma solução, é um adiamento doloroso, uma porta aberta de entrada no crime e no mal, e um rompimento de compromissos estabelecidos pelo Espírito, ora delituoso, com Deus, com o reencarnante e em última análise consigo mesmo. Quem quer que venha praticar esse delito ou com ele colaborar predispõe-se a alterações significativas do centro genésico, em seu perispírito, com conseqüências atuais e posteriores, na esfera patológica de seus órgãos sexuais e também, por vezes, dos centros de força (chacras) coronáriocardíacoesplênico com todas as repercussões pertinentes. Nós estamos preparando hoje a reencarnação de amanhã; um aborto provocado agora se refletirá no chacra genésico, e será mais além o aborto espontâneo, pois a paternidade e a maternidade não valorizados hoje, o serão com certeza amanhã, noutra encarnação, mas agora por um processo educativo, que passa pela dor e pelo sofrimento redentor. Em igual patamar, como conseqüência, estão a prenhez tubária, a placenta prévia, o descolamento prematuro de placenta, a esterilidade, a impotência, entre outras causas que atingem a esfera do aparelho reprodutor masculino e feminino. PARA A VÍTIMA: O único caso em que é aceito o aborto, pela Doutrina Espírita, é quando existe risco insuplantável para a vida da mãe [x] . Em todos os demais casos considera-se ser este compromisso inquebrantável, sob o ponto de vista moral e portanto consciencial espiritual, quer na prova dolorosa do estupro, quer nos fetos acárdicos e anencéfalos, ou qualquer argumento, como o direito de escolha da mulher e sua plasticidade, falta de recursos financeiros, etc. A luta entre o “devo mas não posso e o posso mas não devo” nada mais é do que “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm” (Paulo, I Coríntios, 6:12). A reação da vítima, o Espírito reencarnante, varia, de acordo com seu grau evolutivo, da decepção, quando aproveita areencarnação malograda para sua purificação, à obsessão, e dadas as circunstâncias, é mais provável que reaja da segunda forma, sintonizando-se às vezes com verdadeiras falanges de Espíritos obsessores: “(…) ódio aos que se recusaram a recebê-los num novo berço e, quando não lhes infernizam a existência terrena, em longos processos obsessivos, aguardam, sequiosos de vingança, que façam o trespasse, para então tirarem a forra, castigando-os sem dó nem piedade.” [5]
  • Conseqüências físicas – Conseqüências físicas imediatas: Consideremos aqui as de ocorrência médica, que acontecem nesta encarnação. Estima-se que a morte da gestante ocorra em 20% dos casos de abortamento provocado na clandestinidade e além disso descrevem-se: perfurações do útero com cureta, sondas, velas, etc.; anemia aguda, decorrente de hemorragias provocadas por estas últimas, por abortamento incompleto (restos ovulares) e demais traumatismos da vagina, do útero e das trompas; infecções, inclusive tétano, abscessos, septicemias, gangrenas gasosas; esterilidade secundária; lesões intestinais, complicações hepáticas e renais pelo uso de substâncias tóxicas.”[2]  Assim, o aborto, quando não determina a morte, pode imprimir marcas indeléveis no corpo físico e, como vimos, também no corpo perispiritual.
  • Conseqüências psicológicas – Não podemos fugir da nossa consciência, nem pretextar ignorância das Leis Morais pois elas estão aí impressas”[6] , e quando se pratica este tipo de crime, desperta-se o sentimento de culpa, o arrependimento e às vezes o remorso, a nos perseguir por toda vida física e extrafísica. O arrependimento é a ante-sala da reabilitação, e quando dinâmico, canalizado para ações construtivas, pode levar, via reforma íntima e trabalho regenerador, e não raro espelhado na adoção, a minimização de nossas faltas. Oremorso é a lamentação interior inoperante, completamente estático, que como um ácido corrói o recipiente onde é guardado, provocando a viciação mental, a mente em desarmonia, que é porta aberta aos processos obsessivos.”[x]
  • Conseqüências legais – Não nos estenderemos sobre o tema, lembrando que “nem tudo que é legal é moral e nem tudo que é moral é legalizado”[7] . O aborto é um crime, e se não é admissível que morram mulheres jovens, menos admissível ainda é que se assassinem covardemente os mais jovens ainda e mais indefesos, praticando-o. O assunto é tratado nos artigos 124 a 128 do Código Penal, determinando penas que vão de 1 a 10 anos.

Conclusão:
“O primeiro dos direitos naturais do homem é o direito de viver. O primeiro dever é defender e proteger o seu primeiro direito: a vida.”[8]
O aborto é um crime nefando, porque praticado contra um inocente indefeso; o produto da concepção está vivo, e tem o direito Divino de continuar vivendo e de nascer. Transgride-se assim o 5o Mandamento: “Não Matarás”.
Errar é humano; assumir o erro, é divino.
O Espiritismo não aceita a legalização do aborto, nem com ela compactua, porque legalizá-lo é legalizar o crime e a irresponsabilidade. O “aborto seguro” com que acenam, dizendo-se defensores da vida da mulher, mesmo se verdadeira, não passa de uma proposta para o crime, em que saem em desvantagem as vítimas, os inocentes e indefesos conceptos e aparentemente premiada a irresponsabilidade, excetuando-se desta os casos de estupro, no qual também não justificamos o delito, pois mesmo aí existe um compromisso cármico a ser cumprido.
“Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus:[9]
– Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?”
E quem praticou o aborto responderá:
– Eu matei meu próprio filho…
Quem assim dirá, embora reconhecendo a grave falta em que incorreu, não deve cultuar o remorso ou consumir-se no sentimento corroente da culpa, que levariam à estagnação, mas dinamizar-se e orientar sua energia no trabalho regenerador, agora sim, na defesa da vida, praticando a caridade, dedicando-se ao próximo e servindo com amor, que alcançariam sua plenitude na dádiva espelhada da adoção, na certeza de que com esses procedimentos encontrará a justiça indulgente e a misericórdia do Criador.
“Não é na culpa corrosiva nem no remorso paralisante, mas sim no arrependimento dinâmico que nos remete à ação e ao amor, afastando-nos do vale da dor e do sofrimento, que encontraremos o caminho da libertação.”[10]


Referências Bibliográficas:
[1] FURLAN, Laércio. Respeito ao embrião e ao feto – Diga não ao Aborto. Mundo Espírita. jan. 98, p. 2.
[2] REZENDE, Jorge. Ed. Guanabara-Koogan, 1963, p. 667.
[3] MOTA JR., Eliseu Florentino. Aborto sob a luz do Espiritismo. Matão (SP): Casa Ed. O Clarim, 1995, p. 97 e 121.
[4] MOREIRA, Fernando Augusto. Reencarnação e Genética, Revista Internacional de Espi-ritismo, março 2000, p. 6.
[5] CALLIGARIS, Rodolfo. As Leis Morais. 8. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1991, p. 77.
[6] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, 80. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1987, perg. 358, 359 e 621.
[7] CARVALHO, Alamar Régis. O Aborto e suas conseqüências, SEDA – Salvador, (BA): 31-7-99)
[8] KARDEC, Allan. Revista Espírita. Aborto; direito ou crime?; extraído do site www.cvdee.org.br , em 24-11-99.
[9] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, 116. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1987, p. 240.
[10] GANDRES, Doris Madeira. Tesouro maior, Revista Internacional do Espiritismo, jan 1999, p. 220.
[1]1 XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito André Luiz. Missionários da Luz. 34. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2000, p. 187 a 189 e 208.
[12] KÜHL, Eurípides. Genética e Espiritismo, Rio de Janeiro: FEB, 2. ed., 1996, p. 40.
[13] MIRANDA, Hermínio C. Nossos Filhos são Espíritos. Publ. Lachâtre, 1995, p. 47.
[14] SOARES, José Luis. Biologia. Ed. Scipione, 1997, p. 195.
[15] DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor, 23. ed. FEB, 2000, p. 193.
[16] ROCHA, Alberto de Souza. Além da matéria densa. Ed. Correio Fraterno, 1997, p. 153. Reencarnação em foco. Casa Editora O Clarim, 1991, p. 105.
[17] LIMA, Inaldo Lacerda. Reformador, jun. 1987, p. 169.
[18] SANTA MARIA, José Serpa de. Direito de Viver. Reformador, jun. 1992, p. 168.
* As referências assinaladas com [x] correspondem às de números [1]1 a [18], pertencentes ao artigo Reencarnação e Genética (ver referência 1), em que se baseou o texto deste artigo.
Revista REFORMADOR  Julho de 2001

MAIS UMA PROVA IRREFUTÁVEL DA REENCARNAÇÃO

A conversa de Jesus com Nicodemos:
És mestre em Israel e ignoras essas coisas?
“O que existe, já havia existido: o que existirá, também já
existiu” (Ecl 3, 15).
“Eu era um jovem de boas qualidades e tive a sorte de ter
uma boa alma, ou melhor, sendo bom, vim a um corpo
sem mancha” (Sb 8, 19).
“Porque nós somos de ontem e nada sabemos…” (Jó 8, 9).
Introdução
O que temos observado, e que achamos muito interessante, é que as pessoas que não
acreditam na reencarnação fazem de tudo para retirar essa idéia da Bíblia, como se isso, por si
só, fosse resolver a questão. Estes indivíduos pressupõem, ingenuamente, que se a Bíblia não
disser nada sobre a reencarnação, esta não irá existir. Já falamos, e por várias vezes, que a
Bíblia não é um compêndio de Ciência e que, por isso, não podemos determinar a existência ou
não de qualquer uma das leis naturais com base em suas páginas. Para nós a reencarnação
está no âmbito das leis naturais, não tendo nada a ver com religião, como a querem levar a
esse campo seus contraditores, para, daí, apresentarem a Bíblia como prova de sua não
existência. Nosso objetivo será exatamente o de provar o contrário.
Após retirarem, mudarem ou interpretarem de forma equivocada e tendenciosa algumas
passagens, arrematam categóricos: “não está lá”. Isso satisfaz, evidentemente, aos que
aceitam tudo sem questionar e aos que, subjugados pela liderança religiosa, não ousam
contestá-la, esquecendo-se de que somente “onde se acha o Espírito do Senhor aí existe a
liberdade” (2Cor 3,17).
Vamos analisar uma das passagens, talvez a que causa maior polêmica entre os antireencarnacionistas
de carteirinha, ou seja, os cristãos fundamentalistas, para extrair dela o seu
significado.
O texto em exame
A passagem está em João capítulo 3, versículos de 1 a 12; leiamos:
1. Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os
judeus. 2. à noite ele veio encontrar com Jesus e lhe disse: “Rabi, sabemos que vens da
parte de Deus como mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não
estiver com ele”. 3. Jesus lhe respondeu: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não
nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”. 4. Disse-lhe Nicodemos: “Como pode
um homem nascer, sendo velho? Poderá entrar segunda vez no seio de sua mãe e
nascer?” 5. Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer
da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. 6. O que nasceu da carne é
carne, o que nasceu do Espírito é espírito. 7. Não te admires de eu te haver dito: deveis
nascer de novo. 8. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de
onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito”.
9. Perguntou-lhe Nicodemos: “Como isso pode acontecer?” 10. Respondeu-lhe Jesus: “És
mestre em Israel e ignoras essas coisas? 11. Em verdade, em verdade, te digo: falamos
do que sabemos e damos testemunho do que vimos, porém não acolheis o nosso
testemunho. 12. Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como crereis
quando vos falar das coisas do céu?” (Bíblia de Jerusalém).
O realce, em negrito, aos termos dos versículos 3 e 7, é nosso, já que devemos destacar
isso mais à frente.
A Teologia Católica
A polêmica instala-se por conta do termo grego anóthem, que, segundo os exegetas,
tanto pode ser entendido como “de novo” quanto “do alto”. Isso é um prato cheio para que os
teólogos tirem dessa passagem a idéia da reencarnação, para introduzirem a do batismo, para,
com isso, justificarem este ritual.
Uma das traduções que destacamos é a da Bíblia de Jerusalém, pelo motivo dela ter sido
elaborada por uma equipe de tradutores católicos e protestantes. Nela lemos a seguinte
explicação: “João emprega um termo grego, anóthem, que significa também ‘do alto’ (cf. 3,
7.31). Esse duplo sentido não existe na língua de Jesus e de Nicodemos”. (p. 1847).
Aqui vemos um golpe de morte naqueles que querem buscar nisso um pretexto para retirar
dessa passagem a idéia da reencarnação.
Vejamos o que encontramos em outras Bíblias católicas:
Ave Maria: no v. 4 está dito “renascer”, e quanto ao v. 5 explicam que é uma alusão ao
batismo. (p. 1386).
Pastoral: apenas no v. 3 usaram “do alto”, buscam, também, relacionar essa passagem
ao rito do batismo. (p. 1356-1357).
Barsa: aplicaram ao v. 3 a expressão “renascer de novo”, no v. 5 “renascer” e no 7
“nascer outra vez”. Embora não falem nada sobre batismo, implicitamente querem levar a essa
idéia quando, no v. 5, ao invés de colocar “e do Espírito”, mudam para “e do Espírito Santo”.
Um detalhe importante dessa Bíblia é sua antigüidade; foi editada em 1965, do que concluímos
que nas edições mais recentes, a preocupação de retirar a idéia da reencarnação fica mais
evidente. (Novo Testamento, p. 79).
Santuário: Usam no v. 3 e 5 “de novo”; na explicação do v. 3 colocam:
O termo grego aqui empregado é ambíguo. Tanto se pode traduzir por ‘nascer de novo’ como
por ‘nascer do alto’. Nicodemos entende-o no primeiro sentido, como se vê pelo contexto.
Jesus, porém, reconduz a conversa ao seu caminho: os que pertencem ao Reino, não são os que
nasceram da carne e do sangue (os descendentes de Abraão, como pensavam os judeus), mas os
que nasceram de Deus (cf. Jo 1,13). Tal nascimento realiza-se no batismo (Jo 3,5). (p. 1574). (grifo
nosso).
Do Peregrino: informam-nos que Nicodemos em grego quer dizer “vitória do povo”;
aliás, muito significativo para a idéia da reencarnação. (p. 2552).
Vozes: nos v. 3 e 7, aplicam o “do alto”, dando a seguinte explicação:
A expressão nascer do alto (v. 3) em grego pode ser entendida também como nascer de
novo, como faz Nicodemos (v.4), no sentido de ser concebido e dado à luz. Jesus, no entanto, fala
de um novo nascimento de Deus, da água e do Espírito Santo (v.5), numa referência direta ao rito
do batismo (cf. 1,12s). (p. 1275) (grifo nosso).
Aqui temos a confirmação de que, pelo contexto, a expressão deverá ser entendida como
“nascer de novo”, pois foi assim que Nicodemos entendeu, conforme nos afirmam alguns
tradutores da Bíblia. Não adianta, para justificar o contrário, querer comparar o significado de
uma palavra colocada em textos diferentes, uma vez que ela poderia, muito bem, ter
significados distintos, o que somente o contexto em que cada uma está poderá dar a conhecêlos.
Quanto à questão do batismo, iremos falar mais à frente, noutro tópico.
A Teologia Protestante
Tanto a Novo Mundo, quanto a SBB e a Mundo Cristão, utilizam o “nascer de novo”.
Dessa última transcreveremos as explicações a seguir:
3:3 nascer de novo. Lit., de cima (como em 3:31; 19:11), embora a palavra também
signifique “outra vez”, “de novo” (Gl 4:9). O novo nascimento ou regeneração (Tt 3:5) é o ato de
Deus que concede vida eterna ao que crê em Cristo. Como resultado, tal pessoa torna-se membro
da família de Deus (1 Pe 1;23) com uma nova capacidade e um novo desejo de agradar a seu Pai
celeste (2 Co 5;17).
3:5 Quem não nascer da água e do Espírito. Várias interpretações têm sido sugeridas para o
termo água neste versículo: (1) Que ela se refere ao batismo como condição para a salvação. Isto,
porém, contradiz muitas outras passagens do N.T. (Ef 2:8-9). (2) Representa o ato de
arrependimento indicado pelo batismo de João. (3) Refere-se ao nascimento físico; assim, o
versículo diria: “Quem não nascer a primeira vez da água e a segunda vez do Espírito”. (4) Significa
a palavra de Deus, como em Jo 15;3. (5) É um sinônimo para o Espírito Santo, sendo esta a
tradução: “da água, isto é, do Espírito”. Uma verdade é clara: o novo nascimento vem de Deus
através do Espírito. (p. 1322).
2
Vez por outra, recorremos a um renomado filósofo do século XVII, Raruch de Espinosa
(1632-1677), já que, o que afirmou, ainda prevalece em nossos dias. Agora novamente o
faremos; assim leiamos:
Admira-me bastante, pois, a engenhosidade de pessoas, como aquelas de quem já falei, que
enxergam na Escritura mistérios tão profundos que se torna impossível explicá-los em qualquer
língua humana e que, além disso, introduziram na religião tantas matérias de especulação filosófica
que a Igreja até parece uma academia e a religião uma ciência, ou melhor, uma controvérsia. (…).
(ESPINOSA, 2003, p. 208).
O comum dos teólogos, todavia, entende que se devem interpretar metaforicamente aquelas
passagens em que se atribuem a Deus coisas que eles conseguem ver pela luz natural serem
incompatíveis com a natureza divina, ao passo que tudo aquilo que escapa à sua capacidade de
compreensão se deverá aceitar à letra. Porém, se todas as passagens daquele gênero que se
encontram na Escritura tivessem obrigatoriamente de ser interpretadas e entendidas
metaforicamente, então a Bíblia não teria sido escrita para o povo e para o vulgo ignorante, mas
unicamente para os especialistas, designadamente os filósofos. (ESPINOSA, 2003, p. 213).
Aqui é interessante notar que mais um tiro mortal é dado, dessa vez em relação à
questão de relacionar a passagem ao ritual do batismo como condição sine qua non para a
salvação, conforme ainda podemos perceber em alguns argumentos teológicos.
A Teologia Espírita
Vamos apresentar os argumentos de um escritor espírita sobre este assunto. No livro
“Analisando as Traduções Bíblicas”, o autor Severino Celestino da Silva, no capítulo XVII – A
Reencarnação no Novo Testamento, ao se referir à passagem de João 3,1-12 (pp. 238-242),
diz-nos o seguinte:
Este é o texto que tem dado mais trabalho aos exegetas que querem negar a Reencarnação.
No entanto, é o mais claro e contundente de todos, por isso, existe um verdadeiro malabarismo por
parte destes, no sentido de obscurecer o verdadeiro e claro sentido desta passagem. Iniciamos pelo
vocábulo ’anóten’ que em grego pode significar ’de novo’ e ’do alto’.
Nesta passagem, esse vocábulo significa realmente ‘de novo’, porém a maioria dos
exegetas emprega o termo ‘do alto’ para justificar a sua descrença na Reencarnação. Este
malabarismo envolve também a questão gramatical na tradução do texto, como veremos mais
adiante. Colocaremos, aqui, muitas observações e conceitos empregados, sobre este texto, feitos
por Torres Pastorino na sua obra ‘Sabedoria do Evangelho’, com relação ao texto grego.
Concordamos plenamente com todos os seus conceitos, razão por que o usaremos para reforçar
nossa exegese. A análise do texto hebraico é de autoria e responsabilidade nossa.
Muitos começam com a afirmação de que Jesus teria dito: ‘AQUELE QUE NÃO NASCER
‘DO ALTO’. Observe, no entanto, que a pergunta feita por Nicodemos, em seguida, denota que ele
entendeu que Jesus falava realmente em nascer ‘de novo’ e não ‘do alto’: Como ‘pode o homem,
depois de velho, entrar pela segunda vez (duteron) no ventre materno?’.
Esta ambigüidade de entendimento só acontece na língua grega, porque no hebraico, que foi
realmente a língua em que Jesus dialogou com Nicodemos, este problema não existe. O texto é
bem claro e jamais pode significar ‘do alto’. Diz o seguinte: (‘im lô iauled ish mimkôr ‘al lô-iukal
lirôt et-malkut haelohim’) im=se, lô=não, iualed=incompleto do grau qal(1) do verbo
‘nolad’=nascer, ish=um homem, mimikôr=palavra composta, formada por mi=de + makôr=fonte
de água viva, origem. Existe a expressão hebraica ‘Mekôr chaim’ que quer dizer ‘fonte da vida’.
Observe que não existe nada referente ‘ao alto’, no texto grego, como muitos querem se fazer
entender. Assim, o Cristo fala que aquele que não nascer em origem, no sentido de se voltar à fonte
original da vida, ou seja, nascer novamente, ‘não poderá’ (lô-iuchal=incompleto do verbo
iachôl=poder) ver o reino de Deus (lirôt et-malkut haelohim).
Assim, no diálogo, a palavra grega ‘anóten’ tem o sentido e significado de ‘de novo’,
portanto, Jesus falava de retorno, ou seja, de Reencarnação mesmo, como foi visto no texto
hebraico.
Lembramos, ainda, que Nicodemos já era um cidadão de idade avançada e o Cristo lhe fala
da Reencarnação (Nascer de Novo), como uma esperança e reconforto para ele, mostrando-lhe que
a vida não termina com a morte, nem os velhos devem temer a morte, pois podem renascer e
começar tudo novamente.
Na seqüência, Cristo confirma que era isso mesmo que Ele queria dizer: ‘Quem não nascer
de água (materialmente, com o corpo denso, dado que o nascimento físico é feito através da
bolsa d’água do líquido aminiótico), veja o cap. VII deste livro, Salmo 23 e de espírito
(pneumatos), ou seja, que adquira nova personalidade no mundo terreno, em cada nova
existência, a fim de progredir). Se Nicodemos entendeu ao pé da letra as palavras de Jesus, o
Mestre as confirma ao pé da letra e reforça o seu ensino. Com efeito, o espírito, ao reentrar
na vida física, pode ser considerado o mesmo espírito que reinicia suas experiências,
esquecido de todo passado’.
A questão gramatical: No texto em grego não há artigo diante das palavras ‘água’ (ek
ydatos= de água) ‘e espírito’ (kai pneumatos), portanto, o texto fala em nascer ‘de água e de
3
espírito’. Não é portanto, nascer da água do batismo, nem do espírito, mas de água (por meio da
água) e de espírito (pela Reencarnação do espírito).
O primeiro versículo do Gênesis (1:1) fala que no princípio criou Deus os Céus e a terra. A
palavra ‘céus’ em hebraico ‘Shamaim’ – ???? (2) – significa: ‘Carrega água’, ‘Ali existe água’;
‘fogo e água’ que misturados um ao outro, formaram o Céus.
Como podemos observar, tudo começou com as águas. Água é vida e essa era a crença
geral naquela época. É lógico que o Cristo não falava de batismo e sim de retorno através da água.
Lembramos ainda que 99% da constituição das células reprodutoras são água.
Daí a explicação que segue: ‘o que nasce da carne (ek tês sarkos) com artigo (tês) em
grego, é carne’, isto é com corpo físico, com toda a hereditariedade física herdada do corpo
dos pais; ‘e o que nasce do espírito (ek tou pneumatos) é espírito’, ou seja, o espírito que
reencarna provém do espírito da última encarnação com toda a hereditariedade pessoal
(cármica) que traz do passado.
E Jesus prossegue: ‘Por isso não te admires de eu te dizer: é-vos necessário nascer de
novo’. Observe a diferença de tratamento: ‘dizer-TE’ no singular, e ‘é-VOS’ no plural, porque o
renascimento é para todos, não apenas para Nicodemos. E mais: ‘o espírito sopra (isto é, age,
reencarna, se manifesta onde quer), e não sabes de onde veio (ou seja, sua última
encarnação), nem para onde vai (qual será a próxima).
’As palavras de Jesus foram de modo a embaraçar Nicodemos, que indaga: “como
pode ser isso’? E Jesus: ‘Tu que (entre nós dois) é Mestre de Israel, te perturbas com estas
coisas terrenas? Que te não acontecerá então, se te falar das coisas celestiais (espirituais)?’.
Logicamente Jesus não podia esperar que Nicodemos entendesse as interpretações mais
profundas desse ensinamento, nem tão pouco estava querendo ensinar-lhe o batismo, nesta
passagem, como muitos querem justificar
Se o Cristo falava realmente do batismo para Nicodemos, por que não o convidou a se
batizar? E por que o próprio Cristo não o batizou? Leia em João 4:2 que Cristo não batizava, quem
batizava eram os discípulos. E por que diante de tantas curas, milagres e encontros, como no da
‘Adúltera’, com ‘Zaqueu’, com o ‘Centurião’, com a ‘Cananéia’, Cristo nunca falou em batismo?
Não seria uma oportunidade para este convite? No entanto, sua recomendação era para a mudança
interior: ‘vai e não peques mais para que coisa pior não te venha acontecer’.
E Jesus conclui exemplificando: ‘como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim o
Filho do Homem será erguido da Terra’. (Veja a história da serpente erguida no deserto no Livro
Números – vicrá- 21:4-9).
Aqui o Cristo prevê o que aconteceria a Ele, ou seja, a sua morte na cruz para que hoje seja
erguido na terra como filho de Deus e dirigente de toda a nação terrena.
Paulo, em sua epístola a Tito 3:4-5, interpreta bem esta citação do Cristo: ‘Mas quando
apareceu a vontade de Deus, nosso salvador, e o seu amor para com os homens, não por
obras da justiça que tivéssemos feito, mas segundo sua misericórdia nos salvou pelo
lavatório da reencarnação, e pelo renascimento de um espírito santo’.
Aqui, Paulo deixa bem claro que Deus nos salvou não porque o tivéssemos merecido, mas
por Sua misericórdia, servindo-se da reencarnação a qual é um ‘lavatório’ (de água) e um
‘renascimento do espírito’. A palavra grega do texto a que se refere Paulo é … (a palavra está em
grego que não temos condições de reproduzir) ‘Palingenesia’ – isto é, ‘renascimento’, ‘Novo
Nascimento’, REENCARNAÇÃO.
(1) Esclarece-nos o autor do livro, Dr. Severino que: O termo QAL ou qal é uma palavra hebraica que significa
“Fácil” que tem o sentido gramatical de “forma fácil” ou “simples” de conjugação do verbo na língua hebraica. O
verbo em hebraico possui sete graus de conjugação (Qal, nif’al, piel, pual, hif’iil, haf’al e hitpa’el.) Nesse caso
específico foi colocado com relação ao verbo nascer (nolad-em hebraico). O incompleto que é o futuro do verbo
na forma QAL que é a mais simples das conjugações.
(2) Neste ponto o Dr. Severino coloca a palavra em grego, na “fonte” SIL EZRA, que não colocamos por não a
possuirmos.
(DA SILVA, 2001, pp. 238-242) (os grifos são do original).
Deixa-nos Severino Celestino, e com clareza meridiana, um posicionamento sereno e
equilibrado diante da passagem analisada, embora saibamos que não irá agradar aos
fundamentalistas. Mas como já o dissemos, não é este o nosso objetivo.
Os fariseus e o povo – o que pensavam?
Como sempre argumentam que, naquela época, não existia a idéia conceitual da
reencarnação, devemos, por amor à verdade, apresentar as provas de que isso não tem
fundamento.
A primeira questão é que, se nós formos buscar a palavra “reencarnação” na Bíblia, não
a encontraremos. Entretanto, facilmente encontraremos uma outra terminologia que é usada
em algumas situações, com o conceito de reencarnação, e que é a palavra “ressurreição”.
Quatro são as idéias que eles tinham sobre ressurreição:
1ª – alguém voltar a viver na condição de espírito;
2ª – reviver no mesmo corpo físico;
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3ª – voltar a viver num outro corpo físico; e
4ª – ressurgir em espírito e, nessa condição, influenciar uma pessoa.
Mais informações sobre essas quatro idéias poderão ser vistas, neste livro, no capítulo
Ressurreição, o significado Bíblico.
Para exemplificar a terceira idéia, podemos citar a narrativa de Lucas (9,18-20) sobre o
episódio em que Jesus pergunta aos seus discípulos o que o povo pensava dele, ao que lhe
responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham
que tu és algum dos antigos profetas que ressuscitou”. Pela resposta podemos perceber
que é exatamente a idéia da reencarnação, pois Jesus só poderia ser Elias, Jeremias, que é
citado em Mt 16,14, ou algum outro dos antigos profetas, se aceitassem essa possibilidade de
ressurreição no sentido de reencarnação, termo, inclusive, usado no texto. A prova que não
entendiam bem sobre a reencarnação, aqui com o nome de ressurreição, é pelo fato de terem
citado João Batista, que foi contemporâneo de Jesus.
Considerando que nos foi informado que Nicodemos era um fariseu, não podemos deixar
de falar dessa classe política e religiosa que existia àquela época. Nós buscaremos esta
informação num historiador que viveu naquele tempo, chamado Flávio Josefo. Suas obras
históricas são: “Antiguidades Judaicas”, “Guerra dos Judeus” e “Resposta de Flávio Josefo a
Ápio”, que, em nosso caso, fazem parte do livro História dos Hebreus.
E a título de informação transcrevemos:
Quem foi Flávio Josefo? Foi ele um escritor e historiador judeu que viveu entre 37 a 103 d.C.
Seu pai foi sacerdote e sua mãe descendia da casa real hasmoneana. Portanto, Josefo era de
sangue real. Ele foi muito bem instruído na vasta cultura judaica, bem como na grega. Falava
perfeitamente o latim – o idioma do Império Romano, e também o grego. Logo cedo na vida
demonstrou intenso zelo religioso, filiando-se ao grupo religioso dos fariseus. (…) (p. 41).
Ele, descrevendo a maneira de viver dos fariseus, coloca:
(…) Eles julgam que as almas são imortais, que são julgadas em um outro mundo e
recompensadas ou castigadas segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que umas são
eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e que outras voltam a esta. (…) (p. 416). (grifo
nosso).
E quando alguns soldados, derrotados na guerra contra os romanos, pensavam em
suicidar-se, alerta-os dizendo:
(…) Não sabeis que Ele difunde suas bênçãos sobre a posteridade daqueles, que depois de
ter chamado para junto de si, entregam em suas mãos, a vida, que, segundo as leis da natureza,
Ele lhes deu e que suas almas voam puras para o céu, para lá viverem felizes e voltar, no
correr dos séculos, animar corpos que sejam puros como elas e que ao invés, as almas dos
ímpios, que por loucura criminosa dão a morte a si mesmos são precipitados nas trevas do inferno;
(…) (p. 600). (grifo nosso)
Assim, é justo dizer que os fariseus acreditavam numa ressurreição em outro corpo. Ora,
isso não é nada mais nada menos do que aquilo que entendemos por reencarnação.
Podemos, ainda, para corroborar a afirmativa de que ela era crença no judaísmo, trazer
para comprovação os conhecimentos contidos na Cabala, que, segundo seus estudiosos, é o
significado mais profundo e oculto da Torá.
O Rabino Philip S. Berg, em “Reencarnação as Rodas da Alma”, diz que:
A palavra hebraica para reencarnação é Guilgul Neshamot, que literalmente quer dizer ‘roda
da alma’. É para esta vasta roda metafísica, com sua coroa constelada de almas, como estrelas nas
bordas de uma galáxia, que devemos dirigir nosso olhar, se desejamos ver além da aparência da
inocência punida e da maldade recompensada. Guilgul Neshamot é uma roda em constante
movimento e, ao girar, as almas vêm e vão diversas vezes, num ciclo de nascimento, evolução e
morte e novo nascimento. A mesma evolução ocorre com o corpo no decorrer de uma única vida.
Ocorre o nascimento, o crescimento das células, a paternidade e a morte – novos corpos
produzidos pelos antigos, dando assim continuidade à forma física. É sempre um pai que concede
sua semente para que haja continuidade, num processo sem fim. (pp. 17-18).
Severino Celestino, citando o Rabino Shamai Ende, diz:
Sobre a Reencarnação, apresentamos, aqui, para ilustrar, o depoimento do Rabino Shamai
Ende, colaborador da Revista Judaica ‘Chabad News’,publicação de Dez a Fev 1998. Vejamos o
texto na íntegra: ‘O conceito de Guilgul (Reencarnação) é originado no judaísmo, sendo que
uma alma deve voltar várias vezes até cumprir todas as mistsvot(1) da Torá. Além disso, cada
alma tem uma missão específica. Caso não tenha cumprido a sua, a alma deve retornar a este
mundo para preencher tal lacuna. Somente pessoas especiais sabem exatamente qual é sua
missão de vida. (…)’.
5
__________
(1) Mitsvot – plural de mitsvá que significa mandamento ou prática de boas obras – caridade.
(DA SILVA, p. 161) (grifo do original).
Disso podemos concluir que Nicodemos, sendo um fariseu, fatalmente acreditava que
alguém poderia voltar; entretanto, não sabia como isso poderia acontecer, razão daquelas suas
perguntas a Jesus.
Jesus estaria pregando o Batismo?
Um fato incontestável é que Jesus nasceu, viveu e morreu como judeu. Também não há
como discutir que o batismo não era a prática ritualística no judaísmo, que sabemos ser a da
circuncisão, ato a que, segundo narrativa no Evangelho, o próprio Jesus foi submetido.
Curioso é que, dos quatro evangelistas, somente João diz algo sobre o batismo. Primeiro,
ele afirma que Jesus batizava (Jo 3,22); entretanto, logo depois contradiz o que disse antes
dizendo que Jesus mesmo não batizava, mas sim os seus discípulos (Jo 4,2), o que nos deixa
desconfiados, pois sabemos que os Evangelhos foram escritos em grego, exceto o de Mateus
que foi em aramaico, e que João era iletrado, portanto, sem instrução (At 4,13); como, então,
poderia ter escrito o Evangelho que lhe é atribuído? Por isso, não é absurdo supor que, na
verdade, outra pessoa o escreveu, fato que nos coloca diante também da possibilidade de que
os textos poderiam ter sido “ajeitados” aos interesses dogmáticos daquela época. Todavia, a
contradição pode ser apenas aparente, já que o batismo de Jesus não era o mesmo batismo de
João Batista. Sobre isso encontramos uma passagem que diz: “Eu, na verdade, vos batizo em
água, na base do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu,
que nem sou digno de levar-lhe as alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo, e em
fogo.” (Mt 3,11).
Outrossim, considerando que Nicodemos “era membro do Conselho supremo chamado
Sinédrio” (Bíblia Sagrada Ave Maria, p. 1386), portanto, entendedor das práticas ritualistas dos
judeus, não teria cabimento a pergunta (És mestre em Israel e ignoras essas coisas?) feita por
Jesus a Nicodemos, se Jesus tivesse se referindo ao batismo, pois, se fosse mesmo isso, a ele,
Nicodemos, era muito fácil de entender. Se desconhecia é porque, na verdade, era sobre outra
coisa que Jesus lhe falava. Pelos seus questionamentos ao Mestre, fica claro que era algo mais
profundo do que um simples batismo, tendo que ser de um assunto mais complexo que esse.
Com certeza, a reencarnação é algo assim, já que a maioria das pessoas por “ignorar essas
coisas”, não sabem exatamente sobre “como pode um homem velho voltar a nascer de novo”;
daí fazer a mesma pergunta que fez Nicodemos: “porventura irá entrar no ventre de sua mãe
para nascer pela segunda vez?” A esses responderemos igual a Jesus: “Não te admires disso”.
Não obstante tudo isso, se o batismo nas águas fosse mesmo uma prática recomendada
aos Cristãos, porque Paulo não deu ênfase a isso? Ele mesmo o responde:
“Para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. É verdade, batizei também
a família de Estéfanas, além destes, não sei se batizei algum outro. Porque Cristo não
me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras,
para não se tornar vã a cruz de Cristo”. (1Cor 1,15-17).
Informa-nos L. Palhano Jr.:
(…) A água tinha grande simbolismo entre os hebreus; tanto o espírito como as água são
fecundos (Is 32:15; 44:3; Ez 36:25-27); o espírito é coisa que Deus envia e derrama, como água (Jl
3:1-2; Zc 12:10). Água era uma expressão para indicar influências boas ou más, como no (Sl 1:3):
“Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação
própria, e cujas folhas não caem; e tudo quanto fizer prosperará”. (…) (p. 403). (grifo do original)
Daí a necessidade de entendê-la pelo seu simbolismo e não no sentido literal como
querem se apegar os que não acreditam na reencarnação. Ademais, se compararmos os
versículos 5 e 6 e a respectiva conclusão no 7, veremos que não poderá ser mesmo do batismo
que Jesus falava. Existe uma evidente relação entre o versículo 5 e o 6, especificamente nas
expressões “nascer da água” com “nasceu da carne é carne” e “nasceu do Espírito” com
“nasceu do Espírito é espírito”. Essa relação nada tem a ver com batismo e nem mesmo com
renovação espiritual como acreditam muitos outros, já que Jesus finaliza taxativo: “Não te
admires de eu te haver dito: deveis nascer de novo” (v. 7), significando que o homem
fisicamente descende do homem, e o Espírito provém de Deus.
Por outro lado, sendo a reencarnação coisa da terra, explicaria, indubitavelmente, essa
fala final de Jesus a Nicodemos: “Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como
crereis quando vos falar das coisas do céu?” (v. 12).
6
João Batista era Elias reencarnado?
Após tecer comentários sobre o diálogo entre Jesus e Nicodemos, Allan Kardec conclui:
Se o princípio da reencarnação, conforme se acha expresso em S. João, podia, a rigor, ser
interpretado em sentido puramente místico, o mesmo já não acontece com esta passagem de S.
Mateus, que não permite equívoco: ELE MESMO é o Elias que há de vir. Não há aí figura, nem
alegoria: é uma afirmação positiva. (…) (ESE, Capítulo IV, p. 62).
Igualmente julgamos oportuno abordar essa questão, já que é um dos argumentos que
reforçam a reencarnação, pois aqui irá nos ajudar a fortalecer a convicção que essa idéia era,
de fato, não somente comum à época de Jesus, como também está presente no texto bíblico.
Primeiramente, citaremos a passagem em que Jesus faz o reconhecimento público da
identidade de João Batista, narrado em Mt 11,7-14:
“Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões a respeito de
João: ‘O que é que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? O que
vocês foram ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas aqueles que vestem roupas
finas moram em palácios de reis. Então, o que é que vocês foram ver? Um profeta? Eu
lhes afirmo que sim: alguém que é mais do que um profeta. É de João que a Escritura
diz: ‘Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho
diante de ti’. Eu garanto a vocês: de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior
do que João Batista. No entanto, o menor no Reino do Céu é maior do que ele. Desde os
dias de João Batista até agora, o Reino do Céu sofre violência, e são os violentos que
procuram tomá-lo. De fato, todos os Profetas e a Lei profetizaram até João. E se vocês o
quiserem aceitar, João é Elias que devia vir. Quem tem ouvidos, ouça’”.
A profecia citada por Jesus é a de Malaquias (3,1), que, mais à frente (vv 23-24),
identifica quem será esse mensageiro:
“Vejam! Eu mandarei a vocês o profeta Elias, antes que venha o grandioso e terrível
Dia de Javé. Ele há de fazer que o coração dos pais voltem para os filhos e o coração dos
filhos para os pais; e assim, quando eu vier, não condenarei o país à destruição total”.
Quando o anjo anuncia a Zacarias que sua esposa estava grávida, diz ele sobre o
menino:
“Ele reconduzirá muitos do povo de Israel ao Senhor seu Deus. Caminhará à frente
deles, com o espírito e o poder de Elias, a fim de converter os corações dos pais aos
filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, preparando para o Senhor um povo bem
disposto”. (Lc 1,16-17).
Além de fechar com a citação final da profecia de Malaquias, ressaltemos que ainda é
sintomática a expressão “com o espírito e o poder de Elias”, compreensível aos que acreditam
na reencarnação.
Aqui merecem destaque dois versículos dessa citação que estamos analisando.
O primeiro é aquele que diz “de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do
que João Batista” (Mt 11,11). Analisando-o, chegamos à conclusão que, se não houver uma
etapa anterior em que as pessoas possam evoluir, João Batista foi um ser privilegiado, pois já
veio “maior que todos os homens”; quer dizer, mais evoluído que todos os homens, fato que
contraria o princípio de que “Deus não faz acepção de pessoas” (At 10,34). No entanto, é
plenamente coerente, quando se aceita a reencarnação como um fator de progresso do Espírito.
Por outro lado, completa Jesus: “No entanto o menor no reino dos céus é maior que ele” (Mt
11,11), o que dentro de uma justiça divina, só poderá ocorrer se houver a todos nós a
possibilidade de evoluirmos em outras vidas.
O segundo é o que o segue, onde está dito: “Desde os dias de João Batista até agora, o
Reino do Céu sofre violência…” (Mt 11,12). Importante esta afirmativa, mas ela só caberia se
João Batista tivesse vivido antes, já que não há sentido algum dizer isso citando uma pessoa
contemporânea. Explicando melhor, poderíamos dizer que “desde o tempo em que João Batista
viveu como Elias, o Reino dos Céus sofre violência…”; dessa forma ficará perfeitamente lógica a
afirmativa, coisa que não acontecerá, se não aceitarmos que João Batista seja a reencarnação
do profeta Elias,como também ficará de acordo com a afirmativa de Jesus: “João é Elias que
devia vir” (Mt 11,14).
Jesus, prevendo a incredulidade de muitos, ainda alerta: “Ouça quem tem ouvidos de
ouvir” (Mt 11,15), ou seja, se quiser ouvir o que estou afirmando é exatamente isso: João
Batista é o Elias reencarnado.
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A outra passagem, é aquela em que Jesus sobe ao monte Tabor e se transfigura (Mt 17,
1-9), ocasião em que aparecem os espíritos de Moisés e Elias e conversam com Jesus. Na
seqüência (vv. 10-13) é narrada a dúvida dos discípulos, pois, ao verem Elias, ficaram
preocupados em relação à profecia a respeito de sua volta (Ml 3,1.23-24). Explica-lhes Jesus:
“Elias vem para colocar tudo em ordem. Mas eu digo a vocês: Elias já veio, e eles não o
reconheceram. Fizeram com ele tudo o que quiseram…” (v. 11-12). A essa explicação “os
discípulos compreenderam que Jesus falava de João Batista” (v. 13). Não precisa ser mais
óbvio.
Entretanto, algumas pessoas, dando mais crédito ao discípulo do que ao Mestre (Mt
10,24), alegam, contra a crença na reencarnação, que João Batista afirmou não ser Elias,
esquecendo-se de que aqui que se aplica o “Porque nós somos de ontem e nada sabemos” (Jó
8,9).
Considerando que “Deus é Espírito” (Jo 4,24), “O espírito é que dá a vida a carne não
serve para nada” (Jo 6,63) e “a carne e o sangue não podem herdar o Reino dos céus” (1Cor
15,50), não podemos aceitar que Elias tenha sido arrebatado de corpo e alma ao céu.
Fatalmente, aconteceu a ele, como acontecerá a todos nós, o “e ao pó retornarás” (Gn 3,19).
Estamos adiantando aos que tentariam justificar que João Batista não poderia ser Elias
reencarnado, já que Elias não ultrapassou o portal da morte.
Conclusão
Ainda poderemos colocar que, para algumas situações que passamos nessa vida,
somente se acreditarmos na reencarnação é que encontraremos explicação satisfatória. Muitas
das nossas dores e sofrimentos são provenientes de erros pretéritos, fato não ignorado na
época de Jesus, já que supunham que uma pessoa poderia vir com certa deformidade em
virtude do passado delituoso. Essa crença é perfeitamente percebida quando, ao verem um
cego de nascença, os discípulos perguntam a Jesus: “Quem foi que pecou foi ele ou seus pais?”
(Jo 9,2).
Jesus faz uma relação clara entre nossos erros (pecados) e situações dolorosas, ao dizer
a um doente que acabara de curar: “não peques mais, para que te não aconteça coisa pior” (Jo
5,14). Somente haverá sentido em se falar em carma, para nós espíritas Lei de ação e reação,
se houver a crença na reencarnação, já que ambos os conceitos estão intimamente ligados.
Poderemos ainda acrescentar que é pela reencarnação que todos nós um dia estaremos
no reino dos Céus, uma vez que esse é o destino fatal de todos nós, já que é do desejo de Deus
que todos os homens sejam salvos (1Tm 2,4). Certa feita, Jesus disse aos chefes dos
sacerdotes e anciãos do povo “… Eu garanto a vocês: os cobradores de impostos e as
prostitutas vão entrar antes de vocês no Reino dos Céus” (Mt 21,31), demonstrando claramente
que, apesar de tudo, eles um dia estariam no Reino dos Céus; apenas que os detestáveis
cobradores de impostos e as desprezadas prostitutas chegariam antes deles.
André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, disse, ao comparar a encarnação do espírito
num corpo físico, que é o mesmo que estarmos numa prisão. Então, lembramo-nos de um final
de uma fala de Jesus em que afirma: “… você irá para a prisão. Eu garanto: daí você não sairá,
enquanto não pagar até o último centavo” (Mt 5,25-26). Além do progresso, essa é também
mais uma utilidade da reencarnação, ou seja, por ela todos nós, quitamos os nossos débitos
perante as leis divinas. Aliás, preferimos a isso que irmos irremediavelmente para um inferno
eterno, onde nunca conseguiremos pagar nossos débitos, situação em que a Justiça humana
seria muito melhor que a divina.
Concluímos seguramente, sem nenhum medo de estarmos errados, que realmente a
passagem analisada diz da reencarnação. O contexto histórico nos dá conta de que a
reencarnação era crença no judaísmo, embora com o nome de ressurreição. A grande
dificuldade é que encontramos essa palavra com vários sentidos; daí a grande confusão que
causa a alguns, principalmente àqueles que não querem, por razões dogmáticas, aceitar a
reencarnação como uma realidade.
Citaremos, para corroborar o que temos dito aqui, o que os pesquisadores Kersten e
Gruber disseram no livro O Buda Jesus:
Analisando as teorias de Pitágoras, descobrimos que sua teoria da reencarnação veio da
Índia. Apesar de todos os expurgos, essa idéia também é preservada em várias passagens do
Novo Testamento, a ponto de ter-se a impressão de que esse conceito não-cristão foi ensinado
pelo próprio Jesus. [...]
Pode-se portanto afirmar que, nessa época, a idéia do renascimento e da transmigração da
alma estava enraizada no sentimento popular dos judeus. Isso pode ser demonstrado em várias
passagens do Novo Testamento. Lembramo-nos da pergunta dos discípulos a Jesus sobre o
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homem que era cego de nascença: “Quem pecou, ele ou os pais para que ele tenha nascido cego?”
(João 9,20. A hipótese de que o próprio homem tivesse pecado pressupõe, naturalmente, que
o pecado tivesse sido cometido numa vida anterior, constituindo uma aceitação da idéia do
carma. [...]
Essa crença evidente no renascimento que encontramos no Novo Testamento não era, de
modo algum, familiar aos judeus dos primeiros tempos. Foi a filosofia helênica que a disseminou por
todas as regiões dentro de sua esfera de influência. O conceito de renascimento (gilgul) só se
tornou conhecido nos círculos judaicos por volta do início do nosso milênio. Os talmudistas
acreditavam que Deus havia criado um número determinado de almas judias, que renasciam
constantemente. Como punição elas, retornavam no corpo de animais. De acordo com essa idéia, o
ser humano tinha que experimentar uma longa transmigração da alma (gul-neschama) até alcançar
a redenção (tikkun – a harmonia). A idéia de que a redenção só ocorre quando é atingido o objetivo
do desenvolvimento terreno indica a origem hindu e budista do conceito e só surgiu entre os judeus
durante o período helênico.
A idéia da reencarnação sem dúvida ocupou um lugar de destaque na visão que Jesus
tinha da vida. Isso coloca duas possibilidades: ou Jesus era um mestre da sabedoria helenista que
adotou o conceito de renascimento como uma abordagem filosófica, ou extraiu a idéia de fontes
hindus. No entanto, a maneira pela qual a idéia do renascimento é integrada à sua mensagem,
constituindo um componente fundamental de seu entendimento sobre a redenção, torna a hipótese
das raízes hindus muito plausível. Apenas na Índia a reencarnação desfrutou de tal aceitação, e
apenas na Índia ela esteve ligada a uma moral semelhante à que Jesus divulgou na Palestina. É por
isso que os ensinamentos budistas de Jesus soavam tão estranho aos judeus.
O tema renascimento está presente em muitas passagens do Novo Testamento15. Jesus fala
de suas vidas passadas e de seu retorno, assumindo desta forma uma clara defesa da idéia
da reencarnação. Sua referência mais explicita a uma existência anterior (“Antes que Abraão fosse,
eu sou” – João 8:58) encontra um paralelo no mais antigo relato sobre a vida de Buda, o
Nidanakartha, onde o Desperto é apresentado como um ser preexistente desde o início dos tempos.
As passagens mais importantes do Novo Testamento em que Jesus revela sua crença
no renascimento estão no Evangelho segundo João (João 3:1-4, 7:9-11). Infelizmente, elas
têm sido enormemente mutiladas por traduções incorretas. Graças ao cuidadoso trabalho de
Günther Schwarz, muitos desses erros foram corrigidos. Em diversas publicações, esse teólogo
conseguiu restabelecer o texto aramaico original dos Evangelhos a partir das traduções gregas
existentes, que usou então como base para urna nova versão alemã. O resultado de todos esses
anos de trabalho é a obra Jesus-Evangelium16, na qual, com a ajuda de seu filho Jörn Schwarz,
reuniu os quatro Evangelhos canônicos e fontes não-bíblicas. Esse “Evangelho de Jesus” será uma
constante fonte de referência em nossa análise dos paralelos com o budismo. As citações dessa
obra serão abreviadas como “JeEv”.
Na tradução correta, o verdadeiro significado das idéias de Jesus sobre o renascimento se
torna evidente. Uma noite, sabendo que Jesus “fora enviado como mestre” (JeEv 5:11), Nicodemos,
um fariseu, foi até ele. Na tradução alemã usual, a conversa com Nicodemos é acompanhada por
incompreensíveis palavras de Jesus: “Se um homem não nascer do alto, não poderá ver o reino de
Deus” (João 3:3). A versão não autorizada é menos enigmática: “Se o homem não nascer de novo,
não poderá ver o reino de Deus”. Nos séculos seguintes, a Igreja empenhou-se em suprimir do
Novo Testamento todas as referências à reencarnação, sem contudo conseguir eliminá-las
totalmente. Nessa nova versão, corretamente traduzida, a intenção das palavras de Jesus volta a
se tornar clara. Nicodemos pergunta a Jesus: “O que devo fazer para entrar no Reino de Deus?”
Jesus responde: “Em verdade, em verdade, vos digo: quem não nascer de novo e de novo, não
poderá ser (re)admitido no Reino de Deus”. Nicodemos então pergunta: “Como pode um homem
nascer de novo e de novo se já é velho? Pode ele voltar ao ventre da mãe e nascer de novo?” Ao
que Jesus replica: “Não te admires do que eu disse, é preciso nascer de novo e de novo”.
O que está em questão é a readmissão no Reino de Deus como princípio e fim da existência
humana. Essa lição deve ser compreendida à luz das passagens da Bíblia em que Jesus diz que
João Batista é Elias que voltou à terra (Mateus 11:13-15, 17:10-13; Marcos 9:11-13) e em que ele
próprio é considerado um Elias, um Jeremias ou um dos outros profetas renascido. Não existe pois
nenhuma dúvida de que Jesus estava falando de um renascimento físico, no sentido hindu
de reencarnação. Visto nesse contexto, o erro de tradução de um famoso versículo de Mateus
(18:3) deve ser corrigido. Jesus supostamente teria dito: “Se não vos converterdes e não vos
fizerdes como crianças…”, quando o surpreendente resultado da tradução correta é: “Se não
renascerdes, não entrareis no Reino dos Céus”17. (JeEv 5:12-16).
________
15.Otto Flink (Schopenhauers Seelenwanderungslehre und ihre Quellen) menciona as seguintes passagens:
Mateus 14:1-2, 1Cor 15:35-55; Mateus 17:9-12; Lucas 9:7,8,19; Marcos 9:9-13; Mateus 19:28-30; João 3,3 e 3:8.
Ele acredita que a idéia de carma está presente em João 9:2-3; Mateus 19:30; Mateus 5:4,26; Marcos 10:19-31;
Lucas 18:29-20.
16. Schwarz e Schwarz (1993).
17. Schwarz (1990), p. 46
(KERSTEN e GRUBER, s/d, pp. 131-132). (grifo nosso).
Acreditamos que, por motivos de interesses de poder e de dinheiro, a liderança religiosa
atual não faz a mínima questão de esclarecer essas dúvidas, pois estariam colocando em risco
esses seus interesses. Mas estamos confiantes em que, muito mais cedo do que querem alguns,
9
a ciência dará o veredicto definitivo, quando provar categoricamente a lei natural da
reencarnação, única coisa pela qual poderemos explicar inúmeros questionamentos humanos, e
é por ela que a Justiça de Deus se manifesta em plenitude. Sobre isso o leitor encontrará
informações no endereço: http://geocities.yahoo.com.br/existem_espiritos/.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Dez/2004. (Revisado jan/2007).
(revisado frazão)
Referências Bibliográficas
BERG, P, Rabino. Reencarnação – As Rodas da Alma, São Paulo: Centro de Estudos da Cabala, 1998.
DA SILVA, S. C. Analisando as Traduções Bíblicas. João Pessoa-PB: Idéia, 2001.
ESPINOSA, B. Tratado Teológico-Político. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
JOSEFO, F. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 7ª ed. 2003.
KERSTEN, H. e GRUBER, E. R. O Buda Jesus – as fontes budistas do cristianismo, São Paulo: Best Seller,
s/d.
PALHANO Jr. L. Teologia Espírita. Rio de Janeiro: CELD, 2001.
A Bíblia Anotada. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.
Bíblia Sagrada, 68ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1989.
Bíblia Sagrada, Edição Barsa. Rio de Janeiro: Catholic Press, 1965.
Bíblia Sagrada, Edição Pastoral. 43ª imp. São Paulo: Paulus, 2001.
Bíblia Sagrada, 37a. ed. São Paulo: Paulinas, 1980.
Bíblia Sagrada, 5ª ed. Aparecida-SP: Santuário, 1984.
Bíblia Sagrada, 8ª ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1989.
Bíblia de Jerusalém, nova edição. São Paulo: Paulus, 2002.
Bíblia do Peregrino. São Paulo: Paulus, 2002.
Bíblia Sagrada, Brasília-DF: Sociedade Bíblica do Brasil, 1969.
Escrituras Sagradas, Tradução do Novo Mundo das, Cesário Lange-SP: STVBT, 1986.
Postado por Illuminat às  21:53:

JESUS E DEVER

JESUS E DEVER – Joanna de Ângelis

Por certo, de maneira inconsciente, incontáveis indivíduos se crêem merecedores de tudo. Supõem que até o Sol brilha porque eles existem, a fim de facultar-lhes claridade, calor e vida.
Fecham-se nos valores que se atribuem possuir e, quando

defrontam com a realidade, amarguram-se ou rebelam-se, partindo para a agressividade ou a depressão.

Não assumem responsabilidades, nem cumprem com os deveres que lhes cabem. Às vezes comprometem-se, para logo abandonarem a empresa acusando os outros, sentindo-se injustiçados. São exigentes com a conduta
alheia e benevolentes com os próprios erros.
Sempre estremunhados, tornam-se pesado fardo na economia social, criando situações desagradáveis.
Fáceis e gentis quando favorecidos, tornam-se rudes e ingratos, se não considerados como acreditam merecer.
Afáveis no êxito, apresentam-se agressivos no esforço.
Olvidam-se de que a vida é um desafio à coragem, ao valor moral e que todos temos deveres impostergáveis para com ela, para com nós mesmos e para com os nossos irmãos terrestres.
Ninguém tem o direito de fruir sem trabalhar, explorando o
esforço de outrem.
O prêmio é a honra que se concede ao triunfador que se empenhou por consegui-lo.
Palmo a palmo, o viajante ganha o terreno que percorre, fitando com desassombro a linha de chegada.
O dever de cada um conduz na empreitada da evolução.
Esse esforço resulta da conquista moral que a consciência se permite, em plena sintonia com o equilíbrio cósmico.
Ser útil em toda e qualquer circunstância, favorecer o
progresso, viver com dignidade, são algumas expressões do dever diante da vida.
***
Em inolvidável parábola, Jesus delineou o comportamento do homem que se esforça e merece respeito, demonstrando-lhe a fragilidade e, ao mesmo tempo, o desejo de renovação.
Mateus recorda que:
“Havia um homem que tinha dois filhos. Falou ao primeiro:
“Filho, vai hoje trabalhar na vinha”, ao que ele respondeu: – “Sim, senhor”; porém, refletindo mais tarde, resolveu não ir.
Ao segundo filho fez a mesma proposta e ele disse: “Não quero”.
Todavia, arrependido, foi.
“- Qual dos dois atendeu a vontade do pai?, pergunta o Mestre.
E os interrogantes responderam a Jesus: “O segundo.”
Defrontamos, nessa experiência, a ação e a promessa, o fato e a intenção.
A ação deve predominar porque é resultante do dever. Para ela não se tornam necessárias palavras melífluas ou confortadoras, mas sim a decisão para realizá-la corretamente.
Jesus sempre propõe o dever, a ação; bem entender, a fim de melhor atuar. Ele não induz ninguém à alienação da realidade objetiva do mundo.
Ele estabelece uma escala de valores que devem ser respeitados, merecendo primazia os mais relevantes, que se tornam a pauta de conquistas do homem de bem, que cumpre com o seu dever.
Diante d’Ele, estagnação é morte e esta é crime cometido contra o “reino de Deus” que está dentro do próprio homem, necessitando de ser conquistado.
Todas as parábolas que Ele nos ofereceu estão plenas de ação, sem impositivos externos, antes como resultado de espontânea lucidez da consciência desperta.
***
Nunca prometas realizar o que não pretendes fazer.
Jamais permaneças inoperante em um lugar já conquistado.
Identifica as possibilidades aí vigentes e segue adiante.
O dever que te impõe renúncia e sacrifício, também te alça à harmonia, libertando-te dos conflitos e das dúvidas.
Não cesses de crescer interiormente.
A insatisfação com o que já lograste sem rebeldia, será a tua motivação para conquistas mais expressivas.
És servidor do mundo.
Jesus, que se originara nas estrelas, afirmou ser servo de todos e assim se fez, para que “tivéssemos vida e esta em abundância”.

(De “Jesus e atualidade”, de Divaldo P. Franco, pelo espírito Joanna de Ângelis)

A VIAGEM CONTINUA

A VIAGEM CONTINUA

Mão admitas que desalento e azedume te anulem a confiança em Deus e em ti mesmo…
Estamos todos num curso de aperfeiçoamento espiritual valendo por viagem difícil para os Cimos da espiritualidade.
Toda subida exige suor.
Se já retiraste do vale, no encalço dos montes dedicados ao conhecimento superior, onde se te descerrarão novas luzes segue adiante e não desanimes.

Terás talvez perdido certas preciosidades.
Não te impressiones.
Sabes que os Mensageiros da Luz te esperam à frente e não se te faria possível alcança-los sob o peso de bagagem excessiva.

Provavelmente, sofreste o afastamento de amigos.
Não te aflijas.
Seguindo sempre, obterás mais facilmente as condições precisas a fim de auxilia-los para que se te reinstalem na equipe.

Pessoas amadas resolveram descansar, sem necessidade, nas margens da senda, impondo-te o desapontamento da separação temporária.
Não te incomodes.
Todas elas serão compelidas pelas circunstâncias a retomarem o caminho.

Sugestões de imaginária fadiga te empalidecem o ânimo.
Não te deixes abater por impressões negativas.
Trazes contigo o manancial da fé, sobre o qual se te apóia sustentação na jornada.

A morte, em vários casos, te haverá furtado a presença alentadora de alguém, cujo carinho te escorava a sensibilidade no dia-a-dia.
Não te interrompas, porém.
Essa criatura se adiantou na estrada, de modo a aguardar-te, com mais riqueza de amor, no Mais Além.

Haja o que houver, não te detenhas na subida escabrosa porque a viagem continua, independentemente de nossa própria vontade, e essa viagem é a própria vida que Deus nos concede a cada um para que, gradativamente, nos desfaçamos de qualquer sombra na conquista da luz.

EMMANUEL
(Do livro “Linha Duzentos”, Francisco Cândido Xavier)


ESCUTA, MEU IRMÃO

ESCUTA, MEU IRMÃO

Não é a tua palavra primorosa a força que te exaltará a inteligência e, sim, o objetivo para o qual se dirige.
Não é a dádiva que te confere o título de benfeitor, mas o modo pelo qual te manifestas, através dela.

Não é a fortuna material que te faz realmente rico e, sim, a aplicação dignificante das utilidades que reténs a beneficio de todos.
Não é a fama terrestre a claridade que te coroa o nome e sim a benção do Céu sobre a reta conduta que abraçaste em favor do bem coletivo.
Não é a lição verbal o poder com que educarás o companheiro de luta, nas tarefas de cada dia, mas o teu exemplo reiterado na edificação comum por intermédio da própria melhoria.
Não é a tua crença sectária, embora fervorosa, que te guiará à sublimação na vida espiritual, depois da morte do corpo e, sim, os teus atos de bondade santificante, que serão testemunhas permanentes de tua alma, onde estiveres.
Não é a fé sem obras que te iluminará a senda de progresso, mas as obras dignificadoras que conseguires concretizar, em ti mesmo e fora de ti, inspirado por tua fé.
Não é a cultura intelectual inoperante que te fará respeitável, e sim o espírito de serviço com que te devotares, em qualquer condição, à felicidade dos semelhantes.
Não é o êxito suscetível de sorrir-te na Terra, por alguns dias breves, a fonte de alegria real que procuras com os melhores anseios de coração, mas a paz de consciência, no dever bem cumprido, nas obrigações de cada dia.
Busquemos ser, antes de aparentar e fazer, antes de instruir.
A verdade espera nossa alma, em cada ângulo de caminho, dentro de nossa jornada para frente.
Assim, pois, construamos o nosso engrandecimento interior, porque, hoje ou amanhã, o Sol Divino projetará sobre nós a sua bendita claridade, revelando-nos, à luz meridiana, tais quais somos.

André Luiz
(Do Livro “Através do Tempo”, de Francisco Cândido Xavier)

Reunião Pública em 31-3-1950, Centro Espírita Luiz Gonzaga, Pedro Leopoldo, MG
Realização: Instituto André Luiz

Não se Deixe Soterrar

Conta-se que um fazendeiro, que lutava com muitas dificuldades, possuía alguns cavalos para ajudar no trabalho de sua fazenda.

Um dia, o capataz lhe trouxe a notícia que um de seus cavalos havia caído num velho poço abandonado.

O buraco era muito fundo e seria difícil tirar o animal de lá. O fazendeiro avaliou a situação e certificou-se de que o cavalo estava vivo. Mas pela dificuldade e o alto custo para retirá-lo do fundo do poço, decidiu que não valia a pena investir no resgate.

Chamou o capataz e ordenou que sacrificasse o animal soterrando-o ali mesmo. O capataz chamou alguns empregados e orientou-os para que jogassem terra sobre o cavalo até que o encobrissem totalmente e o poço não oferecesse mais perigo aos outros animais.

No entanto, na medida que a terra caía sobre seu dorso, o cavalo se sacudia e a derrubava no chão e ia pisando sobre ela.

Logo os homens perceberam que o animal não se deixava soterrar, mas, ao contrário, estava subindo à medida que a terra caía, até que , finalmente, conseguiu sair…”.

Muitas vezes nós nos sentimos como se estivéssemos no fundo do poço e, de quebra, ainda temos a impressão de que estão tentando nos soterrar para sempre. É como se o mundo jogasse sobre nós a terra da incompreensão, da falta de oportunidade, da desvalorização, do desprezo e da indiferença. Nesses momentos difíceis, é importante que lembremos da lição profunda da história do cavalo e façamos a nossa parte para sair da dificuldade.

Afinal, se permitimos chegar ao fundo do poço, só nos restam duas opções:

Ou nos servimos dele como ponto de apoio para o impulso que nos levará ao topo; – Ou nos deixamos ficar ali até que a morte nos encontre. É importante que, se estamos nos sentindo soterrar, sacudamos a terra e a aproveitemos para subir.
Ademais, em todas as situações difíceis que enfrentamos na vida, temos o apoio incondicional de Deus, do qual podemos nos aproximar através da oração.

Autor desconhecido


ABRAÇANDO A IMPERFEIÇÃO

Quando eu ainda era um  menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche,  na hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho muito duro.

Naquela noite longínqua, minha mãe pois um prato de ovos, linguiça e torradas bastante queimadas, defronte ao meu pai. Eu me lembro dela ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse:

” Baby, fica tranquila, eu adoro torrada queimada.”

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada. Ele me envolveu em seus braços e me disse:

“Companheiro, sua mãe teve hoje, um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada. Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida  é cheia de imperfeições e as pessoas também não são perfeitas. E eu também não sou um melhor empregado, ou cozinheiro!”

O que tenho aprendido através dos anos  é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é  uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.

Essa  é a minha oração para voce, hoje. Mantenha a neutralidade e a conexão. Que possa aprender a levar o bem, o mal, as partes feias de sua vida colocando-as aos pés do Criador. Porque afinal, Ele o único que pode lhe dar um relacionamento no qual uma torrada queimada não seja um evento destruidor.

De fato, poderemos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, e com amigos.

Não ponha a chave de sua felicidade no bolso de outra pessoa, mas no seu próprio. Veja pelos olhos de Deus e sinta pelo coração Dele; voce apreciará o calor de cada alma, incluindo a sua.

As pessoas sempre se esquecerão do que voce lhes fez, ou do que lhes disse mas nunca esquecerão o modo pelo qual voce as acolheu e valorizou.



Vida e Valores (A desencarnação)
Raul Teixeira, segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Existem coisas das quais não conseguimos fugir. Coisas que fazem parte de Leis inexpugnáveis.

Dentre essas Leis inexpugnáveis, que todos conhecemos na Terra, existe a Lei da desencarnação, a morte.

Naturalmente que o ser espiritual que nós somos, a criatura espiritual que nós representamos, essa não morre jamais. Esse indivíduo é perene.

Uma vez que fomos criados por Deus, nunca desapareceremos do plano da Divindade.

Mudaremos de mundos, de corpos, mas seremos, continuaremos a ser.

Mas, todas as coisas decorrentes da matéria passam por transformações na sua estrutura. A essas transformações chamamos morte.

Se olharmos uma montanha de barro vermelho, que retiramos com facilidade, pouca gente imaginará que essa montanha de barro vermelho era uma montanha de ferro, de minério de ferro que, ao longo do tempo, se transformou e, no lugar do ferro que tínhamos que levar ao fogo para que ele se dissolvesse, agora temos o barro, que usamos para construção, para plantação, para achanar caminhos, que damos um número enorme de usos.

Quando vemos a areia do mar, tão fina ou grossa, pouca gente imaginará que isso decorre das grandes montanhas de sílica, de silicatos que, ao longo do tempo, submetidas às leis da natureza material, se converteram em areia.

Muito pouca gente imaginará que o petróleo, que hoje move o mundo inteiro, provocando vida e provocando mortes, não passa de um amontoado de corpos orgânicos, vegetais, animais que, situados na intimidade do subsolo durante milhares e milhares de anos, sofreu transformações e se converteu em petróleo.

Poucos imaginarão que seja o carbono, o carbono comum, esse que nós utilizamos como grafite para escrever, o mesmo que se faz diamante depois, submetido a pressões agigantadas no coração tépido do planeta.

Vemos que tudo que é matéria se transforma.

Tudo morre, transforma-se, para reaparecer em novas expressões. O carbono, que vira grafite, que vira diamante.

Ora, é muito bonito pensar na morte com este olhar.

E, se nós pensarmos no corpo humano, quando sairmos dele, nosso corpo morre.  Fulano morreu. Beltrano morreu… Não é bem verdade.

Fulano, Beltrano deixaram seus corpos. Por isso seria mais simples dizer: Desencarnou. Saiu da carne Porque não foi Fulano que morreu.

Minha avó morreu, meu filho morreu… Terrível.

Minha avó desencarnou. Ela continua viva, fora do corpo que morreu.

Meu filho desencarnou, meu pai, minha mãe, meu amigo desencarnaram. Saíram dos corpos mas não saíram da vida.

Então, quando olhamos esse corpo orgânico abandonado pelo Espírito que prossegue vivendo, esse corpo se desfaz, agora se apresentam as células que o compunham, que se desfazem, agora as moléculas que compunham essas células…A transformação. Porque essas moléculas serão assimiladas por outros seres vivos.

Plantas que nasçam ali onde o corpo foi sepultado terão em si a expressão daquelas moléculas, daqueles átomos.Outros animais vêm comer aquela erva e levam consigo aquelas moléculas que eram do vegetal, que eram do corpo humano. Tudo se transforma.

Em última análise, não há morte, existem apenas transformações.

Se quisermos continuar a prestar culto à morte, poderemos fazê-lo, mas Jesus Cristo já veio e detonou a morte, porque foi Ele mesmo que voltou para dizer que continuava vivo, apesar do corpo esfacelado.

*   *   *

Não há nenhuma razão para prestarmos culto à morte.

A morte é um desses fenômenos naturais, com os quais nos acostumamos. Com ela também  nos acostumamos.

Desde todos os tempos, as criaturas têm medo da morte porque se foi passando de um indivíduo a outro essa ideia de que morrer é acabar.

O sujeito morre, fina-se, finda-se, nunca mais o veremos, nunca mais nos verá.

Mas, quando nos damos conta de que não é bem assim que as coisas acontecem, tudo se transforma.

Passamos a ver a morte como uma transformação, como vimos em todos os demais setores da natureza material.

É por causa disto que a morte representa o desgaste dos órgãos. Pelas vias naturais o indivíduo vai morrendo, por causa do desgaste dos órgãos.

Mas, esse desgaste começa a dar-se quando  nascemos.

Quando o bebê sai do ventre da mãe e respira pela primeira vez com seus próprios pulmões, já começa a queimar suas células, com os esforços que a natureza lhe impõe.

Assim, a nossa morte começa com o nosso nascimento.

É como se começássemos a contar uma corrida. Na hora que o carro dispara, ligamos o cronômetro.Quando a criança emite seu primeiro vagido, liga-se o cronômetro da vida orgânica.

E aí vivemos durante um período de algumas horas, de alguns meses ou anos, ou dezenas de anos.

A morte não representa o fim das coisas. Vimos que o ser espiritual sai do corpo, mas não sai da vida.

É claro que na nossa cultura judaico-cristã, aprendemos a sofrer com a morte.

Há outras culturas que festejam a morte porque sabem que é a libertação, é a grande saída.

Como temos essa herança religiosa judaico-cristã, tudo para nós é regado a muito sofrimento, a muito tormento.

Para completar, as religiões tradicionais trataram de envolver o fenômeno da morte no que há de pior, em panos negros, em panos roxos, com muitos círios, com muita lágrima.

Temos essa sensação de que o nosso ser querido morreu definitivamente.

Mas, qual nada. Paulo de Tarso enuncia: Se Jesus Cristo ressuscitou, todos nós ressuscitaremos.

E essa ressurreição de Cristo não é em nível físico, é em nível espiritual porque, afinal de contas, em nível físico é impossível ressuscitarmos. O nosso corpo sofre os efeitos do quimismo, da deterioração da matéria. O nosso corpo se desfaz, vira água cheia de moléculas, de átomos que vão sofrendo as transformações a que nos reportamos. Logo, esse corpo não retornará mais.

Aqueles que imaginam a ressurreição da carne não pararam para pensar na complicação que seria para a Divindade realocar átomos e moléculas para formar um corpo original.

Teria que desfazer dezenas de outros corpos, que já se banquetearam, que se serviram dos elementos desse corpo anterior.

É muito mais fácil admitir que não é por aí que as coisas acontecem.

Nossos mortos estão de pé, eles continuam vivos nessa outra dimensão.

Para onde vamos depois que morremos? Para o céu, para o inferno, para o purgatório, para o limbo?

Não, nada disso. Voltamos ao lar primitivo, ao mundo espiritual ou mundo dos Espíritos.

É de lá que viemos para a Terra, é para lá que retornaremos ao sair da Terra.

E esse mundo normal primitivo é a realidade que nos circunda. Todos  estamos circundados, imersos nesse mundo normal primitivo, o mundo dos Espíritos.

E o inferno?

Esse não é uma questão do mundo dos Espíritos, é da alma humana.

Nós construímos em nós mesmos o nosso inferno, com as nossas atitudes incorretas, com nossos crimes, nossos vícios, nossa preguiça.

E o céu?

Da mesma forma, construímos o próprio céu que desejamos para nós, pela obediência às Leis de Deus, pelo serviço ao bem do próximo.

O purgatório?

É aqui mesmo na Terra. Purgatório é um lugar onde se purga, onde se limpam, se lixam, se limam as anfractuosidades que carregamos, as irregularidades que carregamos. Esse purgatório é o planeta Terra.

Deus espera que criemos esse Reino dos Céus em nossa intimidade porque tal vida, tal será a morte.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 131, apresentado por
Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em janeiro de 2008. Exibido pela NET,
Canal 20, Curitiba, no dia 7 de junho de 2009.
Em 17.08.2009.


Recolhimento necessário
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

No mundo atribulado em que vivemos nossa rotina diária costuma ser cheia de afazeres.
Nossa mente é bombardeada diariamente por excesso de informações a partir da televisão, Internet, rádio, jornais e revistas.
Estamos constantemente preocupados com o que temos a fazer, imersos na pressa e entregues ao tão propagado stress da vida moderna.
Para compensar a correria diária, os momentos de lazer são, ora de total apatia frente a um aparelho de TV, ora de inúmeras horas de sono, ora de frenesi em shoppings ou em casas noturnas.
A maior parte de nós não cultiva o hábito de recolher-se para meditar.
Nossa mente é uma maravilhosa máquina, capaz de produzir numerosos pensamentos a cada minuto. Por este motivo muitas pessoas se queixam da dificuldade de concentração, pois não conseguem focar os pensamentos.
Entre os jovens, o uso constante de aparelhos, como o computador e o telefone celular, costuma dificultar muito a atenção seja em sala de aula, seja durante o estudo, seja durante a leitura de um livro.
Precisamos aprender a controlar nossa mente, deixando de ser guiados passivamente por ela.
A prática da meditação é quase tão antiga quanto a Humanidade, e é a base de muitas filosofias de vida, principalmente no Oriente.
Para algumas dessas filosofias, meditar é cultivar a disciplina mental, é permitir a abertura mental para o autoconhecimento e para o conhecimento do Divino.
Sócrates, filósofo grego, dedicou sua vida à meditação e ao estudo filosófico. Foi ele quem deu ênfase ao célebre conceito inscrito no templo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo, convidando o indivíduo ao autoconhecimento.
O autoconhecimento nos dá equilíbrio, nos traz paz de espírito, nos conduz ao caminho da reflexão.
Não é necessário que meditemos durante horas, ou que usemos técnicas transcendentais de meditação. Mas é preciso que aprendamos a silenciar nossa voz e a reduzir o turbilhão de pensamentos por alguns minutos.
Podemos começar com alguns minutos de recolhimento em nosso quarto, antes do descanso, quando naturalmente nossa mente busca o repouso.
Um ambiente com pouca luz e música suave pode nos ajudar a relaxar.
Focar a atenção em um único objeto tem por objetivo controlar nossa mente.
O segredo é dominar os pensamentos e serenar a mente.
No início, a dificuldade poderá desanimar, mas a determinação em atingir o objetivo deve ser maior.
Quando conseguirmos silenciar a mente poderemos guiar nossos pensamentos dominando-os e não sendo dominados por eles.
Conseguiremos, então, refletir serenamente, e com humildade, sobre nossas atitudes, sobre o caminho a ser escolhido, sobre os objetivos nobres a atingir em nossa vida.
A meditação nos permite um maior contato com o mundo espiritual, nos trazendo a inspiração para a escolha do caminho correto a trilhar nesta maravilhosa oportunidade que é a vida.
Redação do Momento Espírita com base em seminário desenvolvido por Divaldo Pereira Franco, ao ensejo da realização do Encontro Fraterno, em Guarajuba-BA, em setembro de 2009.

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